quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Culinária criogénica


Desde a descoberta do fogo por parte do Homem que a palavra “cozinhar” pressupõe, grosso modo, o processo a partir do qual se sujeitam alimentos a temperaturas elevadas com o objectivo de alterar quimicamente a sua cor, sabor e textura.

No entanto, o advento da criogenia entregou aos chefs uma nova, preciosa e estimulante ferramenta – azoto líquido – para transformar a comida em divertidas e surpreendentes maneiras. Isto possibilita, entre outras coisas, escalfar óleo, esmigalhar queijo, fazer farinha de ervas aromáticas e ralar carne. Além disso, quem de nós não conhece o gelado instantâneo feito a partir de azoto líquido?

Azeite congelado

Durante muitos anos, a substância mais fria que os chefs podia utilizar nas suas receitas era o gelo seco (dióxido de carbono sólido), que sublima directamente em CO2 gasoso a – 78 ⁰C. Apesar do gelo seco possuir interessantes aplicações culinárias, o seu estado físico limita a sua utilização. Por outro lado, o azoto líquido ferve a uma temperatura muito mais baixa: – 196 ⁰C, aproximadamente tantos graus abaixo de zero como o óleo quente de uma fritadeira tem acima de zero.

Além disso, devido ao facto de o azoto líquido derreter antes de vaporizar, ao contrário do gelo seco, o azoto pode ser armazenado como líquido e, posteriormente, derramado sobre a comida, ou depositado numa tijela.

Azoto líquido

Pelo facto do azoto líquido possuir um quinto da viscosidade da água e uma tensão superficial muito baixa, este líquido flui rapidamente através das fissuras dos alimentos. Uma técnica que é utilizada para melhorar a confecção de hamburger's consiste em cozinhá-los em lume brando de modo a que a carne fique mal passada; mergulhar o hamburger em azoto líquido para congelar a parte exterior do mesmo e, por fim, fritar o hamburger a alta temperatura formando uma crosta castanha perfeita sem que o interior fique mal passado.

Deliciosos hamburgers

A velocidade é crucial para congelar alimentos sem danificar a sua textura. Geralmente, quanto mais rápido é o processo de congelamento, menor a dimensão dos cristais de gelo e menor o rompimento das estruturas celulares do alimento. Desde os anos 70 que os chefs têm utilizado o azoto líquido para confeccionar gelado com textura extremamente suave. Contudo, só recentemente é que os chefs começam a utilizar esta ferramenta para conservar alimentos bastante delicados, como por exemplo, o foie gras. Por fim, como a utilização do azoto líquido na culinária é ainda bastante recente, muitas novas técnicas estão ainda para ser descobertas.

Baseado na revista Scientific American de Agosto de 2011.

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